Páginas

domingo, 23 de setembro de 2012

O rio e o oceano



         Hoje compartilho contigo uma história das que vou catando por aí. Essa, encontrei vasculhando velhos arquivos, e mais do que nunca ela cala fundo. A conheci ouvindo as histórias de Osho. Histórias de sabedoria.

 O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e aí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
 João Guimarães Rosa


         Conta-se que antes de um rio desaguar no oceano, ele treme de medo, vacila, reluta mesmo. Num movimento quase desesperado, olha para trás para toda a sua jornada. Olha os topos, as montanhas, o caminho interminável e sinuoso em meio às florestas, os povoados e as planícies e só enxerga diante de si, bem à sua frente, um oceano.
         Um oceano tão vasto, que a assustadora ideia de entrar nele, parece significar desaparecer para sempre. Sempre. Mas não há outro jeito, não há outra possibilidade.
         Um rio não pode voltar. Ninguém! pode voltar.
         Nessa existência, a volta é impossível. A nós, só é permitido o ir em frente.
         Mesmo vacilante, o rio precisa se arriscar e se jogar no oceano, se misturar a ele. Somente quando ele entra no oceano é que percebe que já não há medo. Alívio. Porque só então, o rio entenderá que não se trata de se perder no oceano, mas de tornar-se oceano. Por um lado é perder-se e por outro é renascer.
         E assim somos nós, também. Só nos resta ir em frente e nos arriscar a renascer como oceanos. Como diria Guimarães, coragem é o que a vida quer de nós. 

Avance firme na direção do Oceano que é você!

Nenhum comentário:

Postar um comentário